quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam

como estas árvores que gritam

em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que sonho

é vinho, é espuma, é fermento

bichinho alacre e sedento

de focinho pontiagudo

que fuça através de tudo

em perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela é cor é pincel

base, fuste, capitel

que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante

Rosa dos Ventos Infante

caravela quinhentista

que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim

florete de espadachim

bastidor, passo de dança

Columbina e Arlequim

passarola voadora

para-raios, locomotiva

barco de proa festiva

alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar

ultrassom, televisão

desembarque em foguetão

na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham

que o sonho comanda a vida

que sempre que o homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos duma criança

António Gedeão



A fábula dos feijões cinzentos


"Metáfora da ditadura vivida pelos portugueses e da liberdade trazida pela revolução dos cravos. Três feijões tomaram conta do reino do "jardim à Beira mar plantado", roubado aos que ali viviam - feijões quye se tornaram cinzentos - o sol, a água e o ar, calando-os com uma bola de futebol. Reprimiram o povo com a policia e a censura e mandaram jovens para a guerra.
Os protestos de muitos feijões, como o vermelho, o Canário, o Preto ou o Rajado, conseguiram dar um empurrão aos opressores (as raízes estavam já podres) e repartir o que, outrora, lhes tinha sido tirado. A partir desse dia de Liberdade, os feijões passaram a ter as cores antigas e no reino vegetal foi a Primavera".

Liberdade

Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga

O Dia da Liberdade

Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afeto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo teto.

José Jorge Letria
Compilação de textos poéticos muito breves (tercetos) subordinados a um mote comum (a definição de liberdade) o livro de José Jorge Letria conduz o leitor numa viagem pelas diferentes formas (muitas metáforas) de olhar e experimentar a liberdade, aqui recriada como uma das maiores conquistas da Humanidade.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Visita do escritor e ilustrador Pedro Seromenho

Trabalhos dos alunos do 4º I sobre o escritor/ilustrador Pedro Seromenho



 
O escritor/ilustrador...






A sessão de autógrafos...


quarta-feira, 26 de março de 2014

Visita do escritor e ilustrador Pedro Seromenho

É já amanhã. dia 27 de março que vamos receber o escritor e ilustrador Pedro Seromenho na nossa biblioteca.
A sessão será à tarde para os alunos do 4º ano.~
Neste encontro Pedro Seromenho irá falar do seu mais recente livro "A fuga da ervilha" que pode ser adquirido na biblioteca escolar por 10 euros.
No final os livros serão autografados pelo escritor.